sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Hall da Fama da Hotelaria 2 - The Waldorf=Astoria
Este gigante possui 1416 apartamentos, andar vip, exclusivíssimo spa da Guerlain, três restaurantes bares e muita história. A ala mais famosa é conhecida como The Waldorf Towers. É aqui que se hospedam as celebridades e todos os presidentes americanos desde Herbert Hoover. Falando em presidentes, quando lá estivemos hospedados, tivemos que passar por detetor de metais e nossas malas foram vistoriadas. É o preço que se paga para ficar no mesmo hotel que Barak Obama. Estava acontecendo uma conferência da ONU na cidade e vários chefes de estado e de governo estavam por lá. Foi aí que começou a nossa não tão boa experiência inicial.
Naturalmente a equipe não deu bola para nós, brasileiros recém-chegados de calça jeans, enquanto várias comitivas circulavam pelo hotel fazendo diversas solicitações. Entendo bem isso, pois quando eu mesma recebia as comitivas, não prestava muita atenção nos demais hóspedes (os mortais, John Does e etc.). Então, não considerei este ponto do meu check list como negativo.
Só que, ao chegarmos no apartamento...Meu Deus! Devo contextualizar antes de continuar: não pensem vocês que pagamos uma fortuna para ficar lá. Não é barato, mas procurando bastante e tendo paciência é possível encontrar promoções em diversos hotéis bacanas do mundo. Ainda assim não é barato, mas a experiência é válida, portanto topamos dividir o quarto com um outro casal de amigos! Na reserva, informei que seríamos quatro em um quarto. Continuando... quando entramos no quarto era absolutamente minúsculo com decoração da casa da vovó e muito mal cuidado. Mal cabíamos no quarto, quem dirá nossas malas. O armário foi uma das coisas mais bizarras que já vi na vida e tinha mofo no banheiro. Imaginem a nossa frustração!
Quando confirmei a reserva, recebi um email com o nome do gerente geral dando as boas-vindas. Aproveitei esta informação e escrevi uma carta enorme reclamando do que encontramos e dizendo que certamente esta não era a imagem que nós tínhamos deste hotel. Ao voltarmos no final do dia, fomos atendidos por um funcionário da área de hospedagem que gentil e prontamente ouviu todas as nossas queixas. Ao final, perguntou se concordaríamos em mudar de quarto. Tive que concordar...
Ah! As maravilhas que um upgrade não faz! Ficamos em uma suite linda, com quartos separados para os casais, com a mesma decoração da casa da vovó, só que agora bem cuidada. Andar exclusivo, poucos apartamentos e no alto! Esta mudança serviu para reverter a imagem negativa e possibilitou que prestássemos atenção no impressionante lobby, no relógio antigo e em todas as demais coisas que fazem o Waldorf ser o que é! Com isso, ele pode permanecer no Hall da Fama, apenas com a observação de que se você pegar um apartamento standard, existem opções mais descoladas e acessíveis na grande maçã!
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Recebendo comitivas - Parte I

Nesta semana não vou falar de um hotel específico, mas de algumas experiências do lado de cá do balcão. Receber pessoas é sempre uma aventura! Entramos em contato com distintas personalidades e em muitas ocasiões, fora de seu estado habitual: executivos apressados, maridos e mulheres infiéis, noivas neuróticas, reuniões familiares, pessoas em merecidas férias que querem que tudo saia perfeito, grupos rodoviários que contaram cada centavo para pagar a viagem, esbanjadores de dinheiro, celebridades, políticos e todo tipo de gente! O melhor é que estas interações rendem muitas histórias para contar!
Hoje falarei sobre as minhas interações favoritas - receber chefes de estado e de governo. Fui Gerente de Front Office em um hotel em Brasília que recebia todas as delegações internacionais em visita oficial ao país. Eu era a responsável pela organização desta recepção, que requer cuidados e atenção redobrada, além do protocolo requerido. Em um ano, recebemos 32 chefes de estado e de governo, sem contar a Cúpula Árabe (13 ao mesmo tempo) e os ministros, chanceleres e outros cargos.
O universo hoteleiro ganha tonalidades surreais ao receber pessoas que são responsáveis pela condução de nações. Imaginem o presidente do Iraque (Jalal Talabani) jantando com a esposa na piscina, em um momento absolutamente único para este casal que vive cercado. Obviamente, os atiradores de elite estavam posicionados estrategicamente, mas o papel da equipe era proporcionar um momento de normalidade. Imaginem uma chuva torrencial em Brasília que alagou parte da suite onde estava o Presidente da Alemanha (Johannes Rau). Como poucas pessoas têm o passe para entrar nestes espaços, lá fui eu secar o chão com toalhas felpudas branquinhas (único objeto autorizado disponível no momento), enquanto a primeira-dama vestia sua meia-calça para o jantar e falava comigo sobre a beleza de nosso país e o presidente jogava pinball no computador! (Du hast gewinnen!) Imaginem o presidente da Bolívia (Carlos Mesa) com problemas na internet. Subi ajudar e ele disse: senta aí e resolve e fiquei ali, acessando o computador presidencial. Imaginem um garçom exclusivo do Chavez que fica te seguindo como sombra para garantir supervisão constante da comida e evitar o envenenamento do chefe. Há uma infinidade de exemplos como estes e se a leitura agradar meus queridos leitores, contarei mais no futuro.
É difícil escolher um caso para contar, pois todos têm seu charme, mas a comitiva do Putin foi interessante. O presidente russo tem duas equipes de segurança exclusivas para suas viagens. Chegam 15 dias antes e coordenam todas as atividades com a equipe do hotel. Tratamos do trajeto a ser percorrido pelo presidente nas suas idas e vindas até seu shampoo preferido. Entre uma reunião e outra, a equipe de segurança aproveitava a piscina, entrava em contato com a comunidade local feminina e bebia (MUITO!!). O presidente é uma pessoa de hábitos simples, não fazendo nenhuma exigência extravagante. A propósito, a marca preferida de shampoo e demais cosméticos é Kenzo e todos os seguranças que entravam na presidencial (antes do Putin chegar) saiam com o mesmo cheiro - o que era incrivelmente bom, porque o fedor nos quartos da comitiva era inacreditável. Chegamos a fechar o andar após a saída por uns dias para garantir o padrão de qualidade para outros hóspedes.
Espero que tenham gostado da leitura! Sinto saudade do frio na barriga ao ouvir a sirene do primeiro batedor. Finalmente, gostaria de comentar que a equipe deste hotel foi uma das mais sintonizadas e competentes que já trabalhei e isto faz toda a diferença! Saudade de vocês!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Um hotel no fim do mundo!

O hotel desta semana é um pequeno pedaço de paraíso. Localizado quase no fim do mundo (é mesmo!) na Patagônia Chilena, bem ao sul do país na região do Parque Nacional Torres del Paine, na cidade de Puerto Natales. O Remota tem apenas 72 apartamentos e um encanto infinito.
Sua arquitetura única transmite ao hóspede a sensação de que o hotel surge das rochas para encontrar o fabuloso lago a sua frente. Com vistas espetaculares e muito carinho, cada detalhe foi pensado de forma a contar a história da região. As fogueiras instaladas dentro do edifício, os teares andinos nos apartamentos e nas paredes das áreas comuns, a madeira típica, as cerâmicas encontradas no local - tudo disposto para permitir a vivência de uma experiência patagônica autêntica e especial. Meu local favorito é chamado pelos colaboradores de “a praia”. A praia é uma aconchegante sala de estar envidraçada com grandes sofás e cobertores espalhados de onde você aproveita a fabulosa paisagem. Os quartos são amplos e oferecem muito conforto. As camas parecem te abraçar e o chuveiro potente garante uma ótima massagem. Apesar de contar com as facilidades tecnológicas dos nossos tempos (wi-fi, por exemplo), não há TV nos apartamentos propositadamente, para que você possa ou curtir o silêncio da região (tão raro nos nossos dias), ou desfrutar da convivência com os demais hóspedes de todas as partes do mundo.
Portanto, fica claro que a estrutura do Remota já vale a viagem, mas a melhor parte ainda não é esta. O atendimento personalizado e atencioso é marcante. Você é recebido por uma figura sorridente que dá as boas vindas a cada hóspede como uma verdadeira anfitriã. Cada conversa com os colaboradores é única. Todos conhecem a região em profundidade e cada detalhe do hotel. Toda interação é uma surpresa, um novo conto e mais um motivo pelo qual você fica ainda mais encantado com o lugar.
Só isso? Estrutura e atendimento? Não! A gastronomia é simplesmente a melhor parte do Remota. As refeições fazem parte do pacote de hospedagem e você provará as melhores iguarias da região: o famoso caranguejo rei (centolla), o cordeiro, peixes da região em uma infinidade de combinações. Tudo isso harmonizado com os melhores vinhos chilenos. Ah! Uma verdadeira viagem pelos seus sentidos!
E para terminar, neste local isolado há muito que fazer. O hotel organiza excursões e passeios diários bastante variados: cavalgadas que terminam com um saboroso piquenique, passeio de caiaque para observar os glaciares, trilhas pelo Parque Nacional e observação das belíssimas Torres del Paine, enfim... não é de tédio que você reclamará. Recomendo o Remota para contemplação e para o silêncio se este for o seu propósito. Ou para a convivência, atividades diárias e muitos comes e bebes com um pano de fundo que você só encontra no fim do mundo!
Seguidores
Arquivo do blog
Quem sou eu
- Carolina Sass de Haro
- Hoteleira de profissão e por paixão, especialista em gestão estratégica e gestão do conhecimento. Proprietária da Mapie Especialistas Estratégicos em Serviços, sócia da Hamburgueria do Vicente e professora da Universidade Positivo. Atuo em hotelaria há mais de 10 anos com muito prazer!